A gravidez desconhecida

 

Quando eu engravidei em 2013 não sabia de muita coisa além do aprendizado na escola. Acredito que grande parte das mulheres grávidas ficam pesquisando em blogs, sites, livros, revistas, assuntos apenas sobre a gestação, suas semanas, quantos quilos vão engordar, como voltar ao peso inicial pós gravidez, qual tipo de parto, a barriga crescendo, as roupas que não servem mais, os sutiãs para amamentação, entre outros.

Não sei se sou eu, mas quis procurar algo diferente. Comprei apenas um livro no quarto mês, que na verdade é uma enciclopédia da gravidez e no sexto mês um dos livros do meu ex-pediatra, Dr. Henrique Klajner, que atualmente é o pediatra do meu filho.

Algumas passagens que eu li aconteceram depois que meu bebê nasceu. Alguém já te disse que conversar com o bebê ou cantar para ele com a boca perto da barriga, pode acalmá-lo? Eu sempre cantava uma “cantiga de ninar” em momentos relaxantes para ele, que fazia questão de chutar e se remexer na minha barriga. O pai, papel fundamental na gestação e no nascimento, também conversava bastante com ele. E sabem o que aconteceu? Meu bebê nasceu, cortaram o cordão umbilical, veio o primeiro choro. Meu médico veio mostra-lo e logo deu para as enfermeiras para o processo de higienização, medição, testes e etc. O pai foi junto acompanhar os primeiros minutos de vida fora do útero do nosso bebê. Ele chorava muito alto e assim que limparam meu bebê e enrolaram ele em uma manta, meu marido se aproximou do ouvido dele e começou a conversar baixinho e pausadamente, como ele fazia com “minha barriga”. O bebê parou de chorar no mesmo instante. As enfermeiras ficaram emocionadas e não pararam de mencionar este fato no quarto da maternidade.

Quando ele veio para meus braços, ainda na sala da cirurgia, ele encostou a cabecinha no meu peito e ficou com um ar muito sereno. Não existe emoção maior que isso e totalmente diferente de tudo o que tenho vivido.

Segundo a fonoaudióloga, psicomotricista e psicopedagoga Raquel Caruso, os estímulos ao desenvolvimento do bebê devem começar ainda na fase da gravidez. O feto pode receber estímulos auditivos e também afetivos. “A mãe, o pai, o irmão mais velho podem conversar com o bebê. Vale também colocar músicas suaves para ele ouvir e fazer massagens, também suaves, na barriga“, diz Raquel. Quis detalhar essa experiência para dizer que é possível iniciar um relacionamento com o bebê dentro do útero. As neurociências explicam que dentro do útero, o bebê já troca informações com a mãe (Dr.Henrique Klajner) e que eles sabem muito mais sobre a mãe do que ela mesma.

Um outro ponto que eu comprovei foi sobre a alimentação. Durante a gravidez, meu médico ginecologista e obstetra, Dr. Renato Nisenbaum, pediu para que eu me alimentasse a cada três horas em pequenas porções. No momento, eu achava que era mais pela minha saúde, mas depois que meu filho nasceu, percebi que era para ele ter disciplina em suas refeições (mamadas). Eu tive muita fome a gravidez inteira e não consegui comer pequenas porções a cada três horas. O resultado disso foi gerar um bebê guloso. Ele recebia comida o tempo todo e consequentemente queria mamar o tempo todo, porém nosso organismo não produz leite em pouco tempo, tem toda aquela história do leite do peito que a mídia gosta de publicar, mas com disciplina consegui criar uma rotina, mesmo que difícil, com meu bebê desde o oitavo dia de vida até hoje (ele tem um ano).

Meu bebê mamava os dois peitos no mesmo horário, durante 15 minutos ele esvaziava toda a mama e ia para a próxima. No horário seguinte, começava com o peito que ele havia mamado por último e assim foram durante 7 meses, pois ele largou sozinho. E quando acabava o segundo peito ele continuava a chorar. No começo pensava que era cólica, mas comentando com o pediatra, tivemos que optar ao complemento de leite de fórmula. E não foi por causa disso que ele largou meu peito. É tudo balela, sou a prova viva disso. O bebê não larga o peito porque tem a mamadeira mais fácil, que não precisa se esforçar para comer. Varia muito de mãe, que aos poucos, vai dando menos o peito porque a mamadeira é mais prática ou oferecendo a mamadeira antes do peito. A rotina dele foi estabelecida por mim, sua mãe, com mamadas a cada três horas. Ele já veio ao mundo para respeitar as leis do ambiente que ele vive e com certeza, no futuro, vai saber respeitar as leis de onde ele estiver. Com cinco meses iniciamos a introdução alimentar e ele parou de tomar o leite de fórmula, continuando apenas com o peito + almoço + jantar. Quando ele largou o peito com sete meses descobrimos a intolerância à lactose (leite de vaca) e ao leite de soja. Substituímos as mamadas por vitaminas de frutas batidas com água ou suco de laranja, ou simplesmente frutas picadinhas/amassadas.

Na próxima gravidez vou fazer tudo diferente da primeira no quesito alimentação. Certos hábitos podem ajudar na disciplina do bebê desde o útero, evitando um certo estresse nos primeiros meses após o nascimento. Sei que muitas mães me acham radicais ou autoritária, mas um exemplo sobre “leis da sobrevivência” ou do ambiente, comentada no parágrafo acima, é que o bebê já começa a ter suas sensações de limite a partir do momento que está apertado dentro do espaço físico do útero. Para o bebê, o útero é sua proteção, um local escuro, onde ele supre todas suas necessidades ao longo da gestação e ele não tem outro espaço para ficar. Ele obedece essa condição para se desenvolver até o momento do seu nascimento. E a partir daí, já sabe que seus pais vão oferecer limites e educação, que deverão ser cumpridos e respeitados. Educação é Carpe Diem: Para todos os momentos, dias, anos…para uma vida toda.

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